No post de hoje, trouxemos um panorama sobre a queda nos custos de trânsito IP, a expansão do peering e o papel cada vez mais relevante dos pontos de troca de tráfego na arquitetura da rede. Acompanharemos uma visão analítica e fundamentada em dados de mercado criada por Evandro Varonil, especialista reconhecido no ecossistema de conectividade e profundo conhecedor das dinâmicas que moldam a Internet contemporânea.

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É uma leitura indispensável para quem deseja compreender as forças que estão moldando o futuro da conectividade. Confira o texto na integra a seguir.


Mercado | Trânsito IP, Peering e o novo equilíbrio da Internet

Nos últimos anos, os custos de trânsito IP e transporte internacional no Brasil despencaram.

Segundo o LACNIC, o preço mediano do trânsito IP em São Paulo estava em torno de US$ 0,30 por Mbps no final de 2023.
O enlace Miami–São Paulo (100 Gbps) registrou uma redução próxima a 28% ao ano entre 2020 e 2023, chegando a cerca de US$ 16.500 mensais.
Já no IX.br, uma porta de 100 Gbps custa R$ 8.000/mês (~US$ 1.600), um valor fixo que, se totalmente utilizada, equivale a centavos de dólar por Mbps.

Essa trajetória segue firme em 2024 e continua em 2025: de acordo com a TeleGeography, portas de 100 GigE em hubs competitivos já aparecem por valores mínimos próximos de US$ 0,05 por Mbps/mês, enquanto rotas de transporte de alta capacidade (100 G) seguem caindo cerca de 11% ao ano. Paralelamente, a demanda internacional dispara: o tráfego global ultrapassou 6,4 Pbps em 2024.

O efeito combinado de trânsito, IX.br, CDNs e PNIs está redesenhando a economia da Internet e impacta cada ator de forma distinta:

Para o usuário final: mais banda, mais serviços e maior inclusão digital.
Para o provedor regional: é necessário um modelo de interconexão cada vez mais inteligente, combinando trânsito, IX.br, CDNs e PNIs, que reduz custos médios e amplia competitividade.
Para os carriers: margens pressionadas, já que o trânsito nacional e internacional perde espaço para o peering e caches locais, restando o transporte e serviços de valor agregado como alternativas de receita.

A Internet vive um novo equilíbrio: preços em queda, tráfego em alta e o valor estratégico migrando para a interconexão local e inteligente.

Bônus: data centers correm por fora como peça estratégica, impulsionados pela nuvem e pela IA, que exigem baixa latência e infraestrutura distribuída.


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